NOTÍCIAS & ARTIGOS

A RESPONSABILIDADE DA RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO EM FACE DO CLIENTE INADIMPLENTE

17-Mar-2016

Por Renata de Alcântara e Silva Terra*

 

Ao longo dos últimos anos, vimos a entrada de classes classificadas como “D” e “E” no mercado de consumo, desfrutando do amplo acesso a bens e serviços e, consequentemente, ao crédito para obtê-los. Tudo na expectativa de uma maior inclusão social. A partir disso, as empresas investiram muito em campanhas atrativas para que essas classes em ascensão aplicassem o poder aquisitivo nos seus bens e serviços, muitas vezes proporcionando farto crédito para este fim. Com certeza, não foi fácil conquistar a confiança dessas pessoas, mas, com visão de mercado e boas campanhas focadas nessa inclusão, a clientela foi conquistada.

 

Os tempos, no entanto, mudaram. O Brasil, hoje, amarga uma crise. Agora, as classes outrora em ascensão e as empresas, que investiram na capitalização de clientes e bons negócios, se preocupam em manter seu poder aquisitivo e sua posição dentro do mercado, respectivamente. Nesse contexto, muitos daqueles clientes acabaram se tornando devedores. É um cenário de risco, que requer inteligência dos envolvidos.

 

De acordo com estudo veiculado pelo jornal Valor Econômico em 11/01/2016, em torno de 3,7 milhões de brasileiros saíram da classe “C” para retornar à classe “D” durante o ano de 2015. Nesse mesmo ano, a Serasa registrou 4 milhões de empresas inadimplentes, que somam dívidas de R$ 92 bilhões; e mais 57,2 milhões de pessoas físicas em situação de inadimplência, devedoras de uma quantia que monta R$ 246 bilhões.

 

Com certeza, este cenário alarmante na economia causa inúmeras preocupações aos credores, que não podem deixar de circular suas mercadorias nem de prestar seus serviços, mas que necessitam de apoio especializado para a cobrança do crédito inadimplido.

 

Tal apoio especializado consiste na condução – comprometida e responsável – de várias ações que visam à cobrança do crédito inadimplido, tanto no âmbito judicial como no extrajudicial. Nas duas esferas, este trabalho analisa, sempre, as melhores possibilidades para a recuperação de valores e o menor impacto para o devedor. Trata-se de uma ação inteligente, coordenada com o jurídico das empresas, para que não haja violação aos direitos dos consumidores. É preciso atentar que uma abordagem malfeita fará o cliente inadimplente se voltar contra o credor, lançando mão de medidas para protelar o pagamento do crédito. Numa situação destas, todos perdem, e o risco aumenta.

 

Nesta senda, para os que trabalham com recuperação de crédito, é essencial ter em mente que o inadimplente dos dias atuais foi um cliente conquistado com muito custo e perseverança. Por isso, considerando o contexto, a prudência e a ética aconselham que este deve receber o mesmo tratamento cordial que o levou a se tornar cliente. É uma questão de conduta empresarial.

 

Com foco na análise do cliente, resta notório para as empresas e instituições financeiras que alguns poucos clientes tinham a real intenção de não pagar o crédito recebido. Mas este universo é pequeno. A grande maioria dos novos consumidores, pertencentes às classes já referidas, tinha condições de pagar pelo crédito pleiteado. Este contingente só não honrou seus compromissos financeiros em função da mudança do quadro econômico.

 

Descortinado o cenário, a visão que a empresa fornecedora de bens ou serviços e a instituição financeira precisam ter é a de que essas pessoas, hoje em dificuldades, necessitam de auxílio para sair da inadimplência. Cada pessoa em crise é, antes de tudo, um cliente, que faz parte do seu negócio. Se este for auxiliado com seriedade a organizar sua vida financeira, continuará acreditando na empresa e no banco. Cada cliente reabilitado e, por óbvio, satisfeito, fará a mais antiga e eficiente propaganda: a indicação da empresa aos seus conhecidos.

 

Essa análise cuidadosa, feita por profissionais especializados, é uma atitude prudente para a empresa que pretende se manter no mercado e ser considerada confiável e responsável por todas as classes com poder aquisitivo.

 

* Renata de Alcântara e Silva Terra, advogada da Cesar Peres Advocacia Empresarial, é especialista em Recuperação de Crédito e Ativos e Direito do Consumidor

 

MAIS NOTÍCIAS

MAIS ARTIGOS

contato@cesarperes.com.br  | 51-3232-5544 | Rua D. Pedro II, 568, Porto Alegre  RS

Membro da:

Logo TMA Brasil.org

contato@cesarperes.com.br  | 51-3232-5544 | Rua D. Pedro II, 568, Porto Alegre  RS

Membro da:

Logo TMA Brasil.org

Membro da:

contato@cesarperes.com.br

51-3232-5544

Rua D. Pedro II, 568, Porto Alegre  RS

Logo TMA Brasil.org

contato@cesarperes.com.br

51-3232-5544

Rua D. Pedro II, 568, Porto Alegre  RS

Membro da:

Logo TMA Brasil.org
Logo Cesar Peres Advocacia Empresarial