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'SUPER APPS', O NOVO FOCO DE DISPUTA NOS NEGÓCIOS DIGITAIS

25-Feb-2019

Punhados de jovens se reúnem em ruas próximas à Avenida Brigadeiro Faria Lima, uma das principais da capital paulista, ao longo de todo o dia - principalmente no horário do almoço. No vai-e-vem frenético de bicicletas, todos carregam nas costas ou levam nas mãos grandes caixas para transporte de mercadorias que estampam os logos do iFood, da Rappi e da Glovo.

 

A cena, que se tornou comum nos últimos meses, representa um dos mais recentes capítulos da disputa entre empresas de serviços digitais: a criação de aplicativos que concentram em um só lugar, vários tipos de serviços que as pessoas usam com frequência, os super-aplicativos, ou "super apps".

 

No Rappi, por exemplo, é possível liberar um patinete elétrico da Grin, contratar um prestador de serviços da GetNinjas, ou uma manicure do Singu. Até compras em shoppings de São Paulo podem ser feitas pelo aplicativo. A operação, que começou em julho de 2017, está em 15 cidades e a meta é dobrar a presença em 2019. "Também vamos crescer dentro das cidades", diz Ricardo Bechara, diretor da empresa no país.

 

Além de trazer comodidade ao usuário, por centralizar diversas atividades em um só lugar, os super apps permitem economizar espaço no celular, já que é não necessário ter instalado tantos aplicativos, um apelo bastante interessante em países emergentes, onde a base instalada de smartphones é composta, em sua maioria, por aparelhos mais simples.

 

O conceito tem como principal referência o chinês WeChat, que começou como um aplicativo de troca de mensagens e hoje permite chamar táxi, pagar contas, pedir comida e fazer consultas médicas, entre outros. O aplicativo chegou a investir no Brasil entre 2013 e 2014, quando ainda era usado basicamente para trocar mensagens, mas não conseguiu superar a preferência nacional pelo WhatsApp. Na Índia, o Go Jerk caminha nessa direção. O Facebook tem tentado dar ares de super app ao Messenger, mas a passos bem lentos.

 

No Brasil e na América Latina o conceito tem sido a trilha de crescimento da colombiana Rappi e da espanhola Glovo. A Movile, dona do iFood, também tem investido alto na estratégia - em novembro liderou um aporte de US$ 500 milhões na empresa de entrega de comida. A Rappi recebeu em setembro US$ 200 milhões de fundos como o DST Global e o americano Sequoia Capital (que já haviam investido na Nubank) e se tornou a primeira startup colombiana a atingir o status de "unicórnio", o que quer dizer que ela vale mais de US$ 1 bilhão. A Glovo captou US$ 134 milhões com nomes como a japonesa Rakuten.

 

Empresas tradicionais também estão atentas ao modelo. Frederico Trajano, presidente do Magazine Luiza tem falado com frequência sobre a intenção de reunir mais serviços no aplicativo da rede. Em maio de 2018, comprou a startup de tecnologia logística Logbee. Em dezembro o Grupo Pão de Açúcar (GPA) adquiriu a startup curitibana de entregas James Delivery. "Eles estão se posicionando para o que está por vir. As pessoas querem simplificar a vida", diz Bruno Raposo, diretor da Glovo.

 

De acordo com ele, os serviços de entrega ainda serão o grande motor de crescimento nos próximos anos - a expectativa é que o volume de pedidos quadruplique em dois anos. Por conta disso, a expansão de modelo de atuação está no radar, mas só deve ocorrer após 18 meses. "Queremos melhorar a experiência no que já existe", diz.

 

Para Léo Xavier, presidente da agência Pontomobi, várias marcas vão flertar com o conceito de super apps, mas duas dificuldades podem atrapalhar: a capacidade de administrar a relação entre áreas e diferentes serviços externos, além da aceitação dos consumidores.

 

Para Claudio Czarnobai, líder de desenvolvimento de produtos para o varejo da Nielsen, outro aspecto a se considerar é a Lei de Proteção de Dados Pessoais, que dificulta o acesso a algumas informações dos consumidores, o que pode limitar o escopo pretendido para um super app. "Eu não preciso ser um WeChat. E faz parte do desafio descobrir o que fazer. Já temos algumas ideias. E se estamos fazendo é porque acreditamos que dá", diz Daniel Bergman, vice-presidente de pagamentos da Movile.

 

Por Gustavo Brigatto

 

Fonte: Valor

 

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